
Diplomatas· Staffel 2· Folge 21
Acordo entre Trump e Putin ao telefone: “Não gostam da UE, não gostam da NATO e odeiam Zelensky”
Donnerstag, 20. März 2025 · 29 min
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Shownotes
A muito aguardada chamada telefónica entre Donald Trump, (publico.pt/2025/03/18/mundo/noticia/terminou-t…) Presidente dos Estados Unidos, e o seu homólogo russo, Vladimir Putin (publico.pt/2025/03/18/mundo/noticia/terminou-t…), na terça-feira, não trouxe nada de significativamente novo sobre o desenrolar da guerra na Ucrânia, sobre a estratégia militar de Moscovo ou sobre as prioridades da diplomacia da nova Administração norte-americana.
A Rússia “aceitou” não atacar a infra-estrutura energética ucraniana durante 30 dias, mas mesmo essa “cedência” traz-lhe vantagens no campo de batalha: se Kiev fizer o mesmo, Moscovo pode reforçar as suas linhas e para impedir que os drones ucranianos bombardeiem as suas reservas de petróleo.
“O resultado do telefonema foi muito simples: não há cessar-fogo. Quem acha que isto é um acordo ou é louco, ou está claramente a fazer o jogo de Putin. Trump reserva a pressão máxima para [Volodymyr] Zelensky e a pressão mínima ou ausência de pressão para Putin”, resume a Teresa de Sousa (publico.pt/autor/teresa-de-sousa).
“Há de facto um entendimento entre Trump e Putin”, acrescenta. “Não gostam da União Europeia e querem dividi-la; não gostam da NATO e querem dividi-la; aceitam ambos a ideia de um mundo dividido em zonas de influência pelas grandes potências internacionais – EUA, Rússia e China – (…) e ambos odeiam Zelensky, pela razão simples de que este lhes faz frente”.
No episódio desta semana do podcast Diplomatas (publico.pt/podcast-diplomatas) também conversámos sobre a aprovação da reforma do travão da dívida alemão (publico.pt/2025/03/18/mundo/noticia/parlamento…), em vésperas do Conselho Europeu, que se realiza esta quinta-feira em Bruxelas.
Segundo o Carlos Gaspar (publico.pt/autor/carlos-gaspar), trata-se de “sinal muito forte” de Berlim para a UE, para Putin “e para Trump”, já que permite que a Alemanha “ocupe o seu lugar no centro da concertação estratégica com a França e a Grã-Bretanha, que vai ser mais importante nos próximos tempos do que a UE a NATO.”
Da Europa, passámos para o Médio Oriente: o regresso da guerra israelita na Faixa de Gaza (publico.pt/2025/03/18/mundo/noticia/cessarfogo…), assume Carlos Gaspar, também tem uma “dimensão interna (publico.pt/2025/03/18/mundo/noticia/retomada-g…)” – a necessidade de aprovação do Orçamento do Estado e de reforço da maioria do Governo de Benjamin Netanyahu –, mas enfatiza, sobretudo, que é “absolutamente indispensável que haja uma força internacional que garanta a segurança em Gaza e que impeça o Hamas de restaurar o reino de terror sobre os palestinianos.”
Teresa de Sousa traça ainda um “paralelismo impressionante entre a lógica de actuação de Putin e de Netanyahu”, primeiro-ministro de Israel. “Netanyahu quer redesenhar um mapa do Médio Oriente a favor de Israel; e é esse o grande objectivo da sua ofensiva. Putin quer redesenhar um mapa de segurança europeia; é o principal objectivo da guerra da Ucrânia”, considera.
“Ambos têm, de alguma maneira, o beneplácito da Administração americana; ambos têm como principal instrumento a guerra. Para os dois a guerra é fundamental; para os dois a guerra não vai parar”.
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