
Ronilso Pacheco: Extrema direita usa gramática religiosa em projeto de radicalização
Samstag, 14. September 2024 · 48 min
Kapitelklicken springt direkt hin
Shownotes
A Igreja foi uma peça fundamental do colonialismo europeu e da escravização de africanos, mas a espiritualidade cristã pode se comprometer com um projeto de emancipação.
Esse é o horizonte de "Teologia Negra: o Sopro Antirracista do Espírito (companhiadasletras.com.br/livro/9786559791842)", de Ronilso Pacheco, publicado em 2019 e relançado neste mês. Para Pacheco, a teologia não deve continuar a ser vista como uma área de estudo puramente especulativa, sem contato com a realidade social. Em vez disso, ele defende que se considere que a teologia nasceu no deserto, referência à jornada de libertação narrada no Êxodo.
A religiosidade, nessa perspectiva, vem da experiência concreta da opressão —e a teologia negra, além de ressaltar as raízes africanas de acontecimentos e personagens bíblicos, disputa a própria ideia de uma espiritualidade universal, desvinculada da história dos povos.
Pacheco é mestre em teologia pela Universidade Columbia, diretor do Iser (Instituto de Estudos da Religião), pastor auxiliar da Comunidade Batista e colunista do UOL. Na entrevista, ele afirma que a representação de Jesus como homem branco contribuiu para legitimar a escravidão e reverbera até hoje, por exemplo, na intolerância contra religiões de matriz africana.
O pesquisador discute os riscos do nacionalismo cristão, movimento de extrema direita que, em sua avaliação, usa uma gramática religiosa para subjugar a sociedade a um cristianismo conservador, e aborda as perspectivas de organização política nesse contexto.
• Produção e apresentação: Eduardo Sombini (www1.folha.uol.com.br/autores/eduardo-sombini.…)
• Edição de som: Raphael Concli (www1.folha.uol.com.br/autores/raphael-concli.s…)
See omnystudio.com/listener for privacy information.